No mês passado Na aula de violino, cheguei na quinta música do segundo livro do Método Suzuki. O livro só diz que a música é uma valsa composta por Johannes Brahms, mas na verdade, o título inteiro é "Valsa Opus 39 Número 15". A minha lição de casa era descrever o que me vem à cabeça ao ouvir esta música. E era para soltar a imaginação mesmo (nada de "O compositor quis dizer isso, isso e aquilo"). Então eu soltei e ela voou longe, rumo às nuvens (mais sobre isso abaixo). Sempre gostei de imaginar as músicas que ouço como sendo "fundo musical" ou "trilha sonora" de alguma coisa, então foi uma experiência bem interessante. Eis aqui o resultado (aviso: abaixo seguem divagações de alguém que não entende nada de música clássica :P):

A música é bem relaxante e, desde o momento em que ouvi o áudio do Suzuki pela primeira vez, achei que tinha algo bastante familiar mas não sabia o que era.

Uma das versões que achei na Internet foi esta, só com piano (pelo visto a versão original era para piano). Quando ouvi, logo de cara lembrei daquela famosa canção de ninar que também é do Brahms e a versão que eu ouvia também era com piano, aí caiu a ficha e eu pensei "Aaaaahn! Então tá explicado!" Quando eu era pequena, gravei uma fita inteira (os dois lados!) só com a canção de ninar pra ouvir na hora de dormir! Agora não lembro se já tinha ouvido a valsa em outro lugar antes, ou se eu só achei que tivesse ouvido porque a música me fez lembrar da canção de ninar.

Tem essa outra versão, com orquestra. Ao contrário da anterior, essa é mais animada e não parece música de dormir. Essa me fez imaginar uma cidade antiga onde tem um castelo, num dia de um festival ou alguma coisa assim. Muito movimento nos arredores, muita gente andando pra lá e pra cá, e vários comerciantes vendendo coisas perto do castelo. Um viajante chega no local e um dos comerciantes começa a empurrar um monte de produtos pra ele, e o viajante que não sabe de nada acaba comprando gato por lebre. Algo como "A musiquinha parece inocente e aconchegante, mas não se deixe enganar!" :P . Não sei de onde saiu isso, mas foi o que veio à cabeça.

Voltando para o violino, quando ouço minha professora tocando esta valsa, tenho a impressão de flutuar nas nuvens ao sabor de uma brisa suave, sem rumo e sem preocupações, e o crescendo (quando aumenta gradativamente a intensidade e o volume) no final da segunda parte dá a sensação de voar mais alto.

Eis aqui a gravação da valsa tocada pela minha professora: brahms-waltz_teacher01.mp3 (4shared) - brahms-waltz_teacher01.ogg (Open Drive)

Quando sou eu tocando, não estou no nível de criar brisa nem nuvens ainda, mas acho interessante que na hora de fazer as ligaduras, os dois braços se movimentam em direções opostas e me dão a sensação de que estou dançando. Quando o braço esquerdo se fecha um pouco para a mão chegar à nota da corda mais grave, o direito se abre para o arco descer, e quando o braço esquerdo se abre um pouco para chegar à nota da corda mais aguda, o direito se fecha um pouco para o arco subir, e assim vai durante a música inteira. Não sei se o efeito é intencional ou se só o arranjo do Suzuki é assim, mas achei bem interessante. Quando minha performance chegar no nível de recriar a sensação de flutuar nas nuvens, imagino que, quando estiver tocando, terei a impressão de estar dançando nas nuvens! :D

Quantas interpretações para a mesma música... viajei legal. Fui do mundo do sono para uma cidade antiga, depois para as nuvens e voltei!

Ok, chega de ficar com a cabeça nas nuvens e vamos voltar para a realidade. E a realidade é que quando eu toco ainda fica bastante a desejar. Não tem vibrato e estou apanhando das dinâmicas, então ainda está bastante sem graça. Mesmo assim, vou postar o arquivo aqui no blog para deixar registrado o estado do meu som de violino de novembro para dezembro de 2015.

Baixar/ouvir: brahms-waltz01.mp3 (4shared) - brahms-waltz01.ogg (Open Drive)